A história de tradição e empreendedorismo da família real de Liechtenstein liga-se à excelência na gestão financeira do LGT, instituição financeira que pertence à Casa Principesca. O Príncipe Hubertus von und zu Liechtenstein, membro do Conselho de Administração da LGT Group Foundation e Chairman da Liechtenstein Academy Foundation, personifica a visão de longo prazo que se tornou traço distintivo da atuação desse grupo que é líder internacional de private banking e gestão de ativos, colocando em evidência o papel da gestão familiar como uma base sólida para investimentos rentáveis e um legado duradouro.
Graduado em Direito e Administração de Empresas pela Universidade de Zurique, o príncipe Hubertus von und zu Liechtenstein dedicou-se ao estudo do E-Business durante o mestrado, na Universitat Politècnica de Catalunya, em Barcelona. Nesta entrevista, ele nos dá uma visão da história agitada da Casa Principesca, explica os vários pilares do sucesso do grupo LGT e conta porque o banco é capaz de fornecer consultoria e suporte para famílias de grande patrimônio.
Poderia dar uma breve visão do passado da Casa Principesca?
A história da Casa Principesca remonta há mais de 900 anos. Desde tempos imemoriais, meus ancestrais estiveram envolvidos em negócios, guiados por valores como confiabilidade, respeito, integridade e uma abordagem de longo prazo. Originalmente, eles atuavam apenas na agricultura e na silvicultura, mas, ao longo dos séculos, o portfólio da empresa foi expandido e desenvolvido de forma constante. Hoje, além dos negócios agrícolas, as empresas principescas também incluem o LGT, um dos principais grupos internacionais de bancos privados e gestão de ativos. Estamos orgulhosos e felizes pelo fato de a minha família, apesar dos inúmeros entraves econômicos e políticos durante os séculos de sua existência, ter conseguido construir seus ativos de forma constante e passá-los para a próxima geração.
Como você acha que isso foi alcançado?
Nossos ancestrais criaram as estruturas adequadas e desde o início estabeleceram as regras apropriadas. Já no século XVII, eles celebraram um contrato familiar que regulava a sucessão de acordo com o direito de primogenitura. Além disso, eles reuniram os ativos em um chamado Fideikommiss. Essa estrutura legal possibilitou evitar uma causa importante do desaparecimento de grandes propriedades familiares, ou seja, a fragmentação por meio de repetidas divisões de herança. O antigo contrato familiar está refletido na atual Lei da Casa de Liechtenstein, que regula tanto o papel do príncipe quanto a sucessão ao trono.
Você mencionou o LGT que tem mais de 100 anos. Poderia falar um pouco sobre a história do banco?
O LGT foi fundado em 1921 como um pequeno banco regional. Em 1930, logo após a erupção da Grande Depressão, ele passou por pequenas dificuldades financeiras, e a minha família assumiu o controle. Por muitos anos, o banco funcionou como um banco regional, especialmente na região de Liechtenstein e arredores. A partir da década de 1980, expandiu seus negócios e se diversificou internacionalmente. Graças a decisões estratégicas sensatas e de longo prazo, disciplina e perseverança, foi possível transformar a pequena instituição regional no maior grupo familiar de private banking e asset management do mundo. Atualmente, o LGT emprega mais de 4.500 pessoas em mais de 20 localidades.
Sua família é caracterizada por um forte espírito empreendedor. Esse é um fator essencial para o sucesso econômico da Casa Principesca e do LGT?
Sem dúvida alguma. O espírito empreendedor da nossa família está profundamente ancorado na cultura do LGT. De fato, já meus ancestrais combinavam conscientemente tradição e consistência com pensamento e ação voltados para o futuro. Em todas as nossas atividades, nos esforçamos para questionar o existente, estar abertos a coisas novas e agir de forma inovadora e corajosa. Tenho certeza de que esse é um pilar fundamental do nosso sucesso que também molda nossas muitas outras atividades empresariais nos campos da arte, da ciência e das questões sociais.
Além disso, o que você descreveria pessoalmente como o segredo central do sucesso do LGT?
Na minha opinião, não existe um segredo único. Em vez disso, há vários pilares sólidos nos quais nosso sucesso se baseia. A estrutura de propriedade privada da empresa com uma longa tradição permite alto grau de estabilidade organizacional e financeira, bem como uma orientação de longo prazo. Isso corresponde à nossa máxima de oferecer aos clientes do LGT um valor agregado de longo prazo. Pensamos e agimos de forma empreendedora e voltada para o futuro, a fim de desenvolver continuamente soluções inovadoras. Buscamos uma abordagem holística. Assim, não concentramos nossos negócios apenas em negócios operacionais, mas também em investimentos e serviços de consultoria em sustentabilidade. Estou convencido de que isso, aliado à nossa experiência diferenciada em investimentos e ao atendimento individualizado e de alta qualidade aos clientes, é o que nos torna bem-sucedidos.
Qual é o seu papel na organização?
Como membro do Board of Trustees do LGT Group, tenho várias responsabilidades legais, de representação e organizacionais, além de lidar intensamente com o tópico de governança familiar. Com base em minha experiência em estruturas familiares, trago o conhecimento de como a família principesca preservou seus ativos ao longo de gerações.
O planejamento sucessório e patrimonial acaba sendo muito complexo para famílias de grande patrimônio?
Em muitos casos, sim. Por isso, uma consultoria competente, pessoal e abrangente é extremamente valiosa. Ela pode oferecer às famílias uma visão geral estruturada, mostrar os efeitos das decisões e os riscos associados. Isso cria uma base sólida para a tomada de decisões acertadas. Em relacionamentos entre acionistas da mesma família, às vezes, é difícil encontrar e estabelecer uma base comum de valores, interesses e objetivos, então a tarefa do conselheiro é ajudar a criar essa base por meio de uma análise completa da situação e de discussões pessoais. Só assim faz sentido definir e implementar estruturas, processos e responsabilidades.









